O Arteterapeuta

Celeste Carneiro

De acordo com a American Art Therapy Association arteterapeuta é um profissional treinado em arte e em terapia que tenha uma formação em arteterapia.

No livro A arte cura? Organizado por Margarida Carvalho, vem assim especificado:

Também é importante ressaltar:

1. a necessidade de os arte-terapeutas e terapeutas "expressivos" serem formados nas áreas pertinentes ao seus campos de trabalho, ou seja, artes, teorias e técnicas de psicoterapia e praticarem seus trabalhos com critério, ética e versatilidade;

2. terapeutas e educadores terem cuidado em manter em mente o objetivo e extensão do campo de seus trabalhos, a configuração específica de suas áreas de atuação (psicoterapia e educação), sabendo o quanto o campo de estudo e aplicação da psicologia e da pedagogia se interpenetram;

3. os profissionais dessas áreas podem e devem construir uma prática psicoterapêutica ou educacional considerando a possível complemen-taridade entre elas;

4. precisa-se pensar, tanto em educação como em saúde, na necessidade de atuação de vários profissionais, dentro de uma concepção multidisciplinar.


É condição sine qua non que a arte esteja no centro do trabalho para este poder ser considerado como arteterapia. (1995, p. 40)

Considerando que a psicoterapia é uma atividade restrita a psicólogos e médicos, e, mais recentemente, a filósofos clínicos, o profissional com outras formações que lhe dão embasamento para melhorar a vida das pessoas são considerados terapeutas.

Roberto Crema, vice-reitor da UNIPAZ e responsável pelo Colégio Internacional dos Terapeutas, esclarece:

A partir de uma visão de ecologia profunda, e de uma definição de saúde como um estado de bem-estar psicossomático, social, ambiental e cósmico, postulada pela Organização Mundial de Saúde, três categorias de terapeutas são reconhecidas: a clínica, a social e a ambiental. A primeira é reservada aos profissionais clínicos habilitados, como médicos, psiquiatras e psicólogos; a segunda, aos profissionais que cuidam do social, como educadores, empresários, engenheiros, arquitetos, artistas, políticos, cientistas, sacerdotes...; a terceira diz respeito aos cuidadores do meio-ambiente, como biólogos, ecólogos, etólogos, engenheiros florestais, entre outros. A tarefa de ser agente de saúde, portanto, é estendida a todo ser humano, que se importa com o bem-estar, de si, de todos e de tudo, abrindo-se à responsabilidade de cuidar. (2002, p.13)

O arteterapeuta, portanto, utiliza recursos artísticos como: artes plásticas, poesia, dança, música, teatro, modelagem, ou outras formas de expressão, para proporcionar o auto-conhecimento e a melhora do estado emocional da pessoa que o busca como terapeuta.

Ele pode focar seu atendimento nas mais diversas abordagens terapêuticas ou correntes psicológicas.

A arteterapia vem sendo usada em clínicas, hospitais, escolas, empresas, como mais um recurso de crescimento interior e bem-estar das pessoas.

Através dos meios que mais tem afinidade, percebe a arte como um processo de comunicação não-verbal, onde tem menos importância o resultado e a estética do trabalho.

A importância maior está naquilo que a arte revela do inconsciente e o seu efeito no consciente, melhorando o seu viver e o seu sentir.

Para isso, se faz necessário um conhecimento prévio das técnicas a serem usadas, dos materiais expressivos, e o treinamento na escuta e percepção do outro, com o acolhimento e a compreensão próprios de quem cuida.

O arteterapeuta junguiano está sempre trabalhando com as polaridades, a luz e as sombras, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo, o ego e o self.

Estar em constante processo de auto-crescimento é fundamental, pois é conhecido que só conseguimos levar as pessoas até onde conseguimos chegar.

Bibliografia:
Crema, Roberto. Antigos e Novos Terapeutas. Petrópolis, Editora Vozes, 2002.
Carvalho, Maria Margarida M. J. de. A arte cura? Campinas (SP), Editora Psy II, 1995.