Artezen

Celeste Carneiro

Artezen é um curso cujo significado da palavra quer dizer: fazer arte em estado de meditação.
Procura desenvolver a habilidade do desenho ainda que não saibamos que podemos desenhar bem.
É a busca da Unidade, da síntese, da compreensão e da expansão do nosso potencial.
Abandonar por algum tempo o pensamento racional, linear, seqüencial e deixar fluir o sentimento, permitindo que se manifeste a intuição. É a valorização do espaço vazio, do silêncio, da expressão não-verbal. Prestar atenção ao não-dito, ao não-expresso, não-manifesto...

Participar do curso Artezen é desenvolver a capacidade de concentração, de ver o que antes não víamos, aprimorando a atenção e a contemplação.

Com isso, aprendemos também a observar atenta e cuidadosamente os nossos movimentos internos no dia-a-dia fazendo com que nos conheçamos mais e nos transformemos em seres melhores, mais afetuosos e felizes, melhorando a qualidade de nossa vida, tendo como meta alcançar a consciência plena.

Com a continuidade dos exercícios seremos mais calmos, tranqüilos, autoconfiantes, seguros, além de desenvolvermos a paciência.

Buscaremos viver de forma harmônica conosco mesmo, com tudo à nossa volta e com o Universo.

Zen, palavra japonesa, vem do chinês Chan. É uma variação do budismo, popularizado no Japão no final do século XII e início do século XIII.

Os ensinamentos de Buda chegaram ao Japão no século I, levados da China e da Coréia, encontrando maior repercussão no século VI da era cristã.

O Zen-budismo esclarece que a luz espiritual pode ser conseguida aqui mesmo na Terra, através da meditação constante que desvelará todo o potencial que trazemos dentro de nós mesmos, pois, na essência, todos somos Buda, ou seja, Iluminados.

A meditação é feita enquanto se realiza as tarefas do dia-a-dia, estando presente em todos os atos, vivendo o momento atual, buscando estar consciente da realidade, sem ilusões nem apegos.

O Zen dá muita importância à arte, à estética, à caligrafia, jardinagem, cerimônia do chá e arranjos florais (ikebana), onde são empregados o Princípio do Três: o mundo do céu, o da Terra e o dos homens. Estando no meio, o homem é uno com o coração do Universo e com a base fundamental da Terra, posicionando-se de modo que se perceba e perceba o outro, vibrando com o seu coração e ao mesmo tempo integrando-se ao Todo.

O Mestre Zen fala pouco e espera que o discípulo perceba por si próprio o fazer correto, mostrando, quando necessário, como se faz. Considera que as palavras não traduzem o verdadeiro espírito do ensinamento. Sua vida é a prática do que ensina...

O Zen valoriza a simplicidade, o silêncio, o vazio. Uma taça cheia não comporta mais nada – para adquirir novos conhecimentos precisamos estar com a mente vazia, de quem principia, aberta para acolher o novo. Enxergar o vazio é perceber a imagem do invisível, facultando o poder da concentração e da unção.

Busca divulgar esses valores para todas as pessoas, a fim de que sejam beneficiadas com essas práticas.

Por ter o Zen tanta identificação com a essência do curso, voltado para aqueles que querem aprender a desenhar, é que colocamos este nome: ARTEZEN.

Maio/2001

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Bibliografia:
1 – O Caminho Zen – Eugen Herrigel (Ed. Pensamento)
2 – O Zen na Arte da Cerimônia das Flores – Gusty L. Herrigel (Ed. Pensamento)
3 – Grandes Impérios e Civilizações – Japão (Edições Del Prado)