Ante Agressões

Celeste Carneiro

Quase todos nós já sofremos algum tipo de agressão na vida. Seja agressão verbal, silenciosa, moral ou até mesmo física.

Quando isso acontece, cada qual tem uma reação diferente, mas, normalmente, sentimos o impacto da agressividade e sofremos com o fato.

O agressor quase sempre é alguém que se encontra com algum tipo de desequilíbrio. O agredido pode ser alguém invigilante, imprecavido, desatento às necessidades do próximo. Ou não ser nenhuma dessas coisas, sendo vítima simplesmente, cuja causa do sofrimento poderá ser uma prova ou uma expiação, considerando o processo evolutivo através das vidas passadas.

O que ocorre quando alguém se torna agressivo?

Por parte da vítima, o trovejar de palavras ou gestos intempestivos faz acordar em nós lembranças antigas de submissão forçada, de domínios cruéis, de sofrimentos atrozes... Lembranças desta e de outras vidas, que surgem em nosso consciente como uma sensação muito desagradável de impotência e medo, em alguns, de desejo de desforra em outros ou de vontade de fugir, se retrair, se afastar o máximo possível do agressor.

São reações próprias do nosso cérebro reptiliniano e límbico, que trazem a herança das experiências mais antigas do reino animal e dos homens primitivos, quando, diante de um perigo reagiam com a fuga, a luta ou a paralisia momentânea.

Já com o agente da agressão, são vários os fatores que o leva a agir dessa forma.

Às vezes, é uma pessoa normal, tranqüila, e inesperadamente explode ou toma atitudes imprevistas.

Na psicologia Junguiana, quando isso ocorre, diz-se que "constelou o complexo". É quando perdemos o controle de nós mesmos, perturbamos a consciência e embotamos a memória. Agimos de uma forma carregada de emoções, sentindo, embora inconscientemente, toda a carga afetiva de idéias e imagens originadas de vivências do passado. Essas idéias e imagens se cristalizaram em nossa psique, e, toda vez que algo ou algumas palavras ditas por quem está próximo, lembram os acontecimentos que nos marcaram negativamente, mesmo que não tenhamos consciência do fato, acionam o mecanismo de defesa que nos faz ter essas reações agressivas, desproporcional ao ocorrido, sem explicação lógica.

E então explodimos com as pessoas, falamos coisas que não queríamos falar, temos comportamentos inesperados, reações surpreendentes para nós mesmos e para os outros...

Ao tomarmos consciência desses complexos que todos nós temos, e tratá-los, passamos a agir em vez de reagir. Agimos com o neocórtex cerebral, a parte mais evoluída do nosso cérebro, própria do ser humano, que pensa, raciocina, analisa, faz projetos, sonha, tem percepções mais abrangentes.

Ante o agressor, não sentiremos tanto o impacto porque saberemos que hoje estamos numa posição diferente e que ele é quem está, no momento, necessitando de ajuda, através do nosso silêncio, da paciência e compreensão.

Ocorrendo algum acontecimento que nos mobilize para agir agressivamente, estaremos atentos e vigilantes, conscientes de que o motivo atual está a nos lembrar de cenas antigas que estamos trabalhando para compreendê-las e dissolvê-las da nossa memória, do nosso inconsciente.

Existe uma ginástica cerebral que ajuda muito nessas ocasiões, tanto para a vítima como para o agressor, pois ambos estão tendo reações próprias da base do cérebro, ou da sua metade inferior. Consiste em tomar os dois dedos de cada mão, indicador e médio, e massagear suavemente a testa, fazendo movimentos giratórios em cada lado, ao mesmo tempo, iniciando na raiz do cabelo, ao centro, e descendo até próximo das sobrancelhas, procurando sentir-se seguro, projetando situações positivas, que tragam esperança e paz. Assim, estaremos estimulando o neocórtex, a parte humana que somos, chamando nossa atenção para isso.

Jesus, o terapeuta por excelência, nos disse: "Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim..."

A crença em Deus e em Jesus fará com que não tenhamos receios de penetrarmos nas regiões mais sombrias da nossa alma, trazendo à tona esses eventos que ficaram congelados em algum canto do nosso ser, aguardando o momento da liberação, da atenção apropriada para que não soframos mais com as agressões, nossas e dos outros, tornando-nos mais felizes. Esse trabalho requer um acompanhamento especializado, com acolhimento amoroso e sábio.



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