Violência e Paz

Celeste Carneiro

Assistindo aos noticiários da TV, ou lendo revistas e jornais, ficamos assustados com a onda de violência que invade o mundo.

Por recear os violentos, não podemos deixar de sair à rua, uma vez que, ficando em casa também não estaremos livres de suas investidas.

A solução é confiar em Deus e procurar manter ou conquistar a paz, essa paz tão almejada que todos nós teremos um dia.

A paz, que caminha junto com o amor, é capaz de transformar a violência em docilidade, por mais difícil que isto possa parecer.

Lembramo-nos do lobo que Francisco de Assis amansou, da vitória da não-violência de Gandhi, da legião de espíritos perseguidores que Jesus conquistou para a busca do Seu Reino, e de tantos corações anônimos que trabalham em silêncio pela paz da humanidade, pacificando os que se encontram mais próximos e estendendo cada vez mais essa corrente amorosa, confiantes de que o Reino dos Céus está próximo e depende muito de nós...

Esta silenciosa e doce influência da paz está bem ilustrada no livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, onde um soldado norte-americano narra um fato ocorrido durante a guerra no Vietnan:

Escondidos numa plantação de arroz, os americanos e os vietcongues travavam acirrado tiroteio, quando de repente, por um estreito caminho que dividia um campo do outro, surge uma fila de seis monges, andando na mais perfeita paz, tranqüilos e equilibrados, seguindo em direção à linha de fogo, olhando serenamente para a frente como se não houvesse perigo algum.

Naquele instante, algo estranho aconteceu com os soldados de ambos os lados: ninguém sentiu vontade de atirar enquanto os monges passavam e depois que eles saíram da linha de fogo o calor da luta havia desaparecido e todos eles desistiram do combate, pelo menos naquele dia...

Quando conseguirmos manter a paz inalterável, haveremos de nos sentir infinitamente bem, e em nosso planeta se espalhará um odor de santidade, um desinteresse pelas ações violentas, uma vontade de mudar e buscar outros valores; haverá em cada um de nós a lembrança da pureza infantil e o amor brotará nas criaturas de forma espontânea, leve, aureolado pela paz.

É certo que, até chegarmos lá, precisaremos de muitos testemunhos e, em lá chegando, ainda assim não estaremos livres de conviver com a violência. Foi assim com Gandhi, que nos deixou vitimado pela agressão de um jovem que lhe atirou no peito, foi também assim com Jesus que sofreu a pena máxima da crucificação. Mas, o que é importante, eles permaneceram imperturbáveis na sua paz e até hoje nos influenciam a pensar na paz, a desejá-la e conservá-la sempre.

É como se continuássemos a ouvir o Mestre a dizer: E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo... Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.



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