Combate à Depressão

Celeste Carneiro

É muito comum sermos acometidos, periodicamente, por crises depressivas que nos dificultam viver bem. Embora conheçamos os ensinamentos consoladores que a Doutrina Espírita oferece e mesmo estejamos familiarizados com o Evangelho de Jesus, carregamos ainda marcas profundas de um passado de enganos e reincidências que, de quando em quando, voltam à nossa mente de maneira muito sutil, em imagens indefiníveis, repercutindo no consciente como uma inexplicável melancolia.

 

Em momentos assim, urge que apliquemos alguns recursos, alijando com decisão qualquer sombra que se faça em nossa interior:

 

1º - Cantar – Mesmo não possuindo voz enternecedora, cantemos com a voz que Deus nos deu, procurando prestar atenção à letra ou ao sentimento que a música traduz. De preferência, cantemos melodias alegres ou religiosas. Humberto de Campos conta que, quando Maria, mãe de Jesus, após deixar o corpo físico, visitava os cristãos que aguardavam o instante do martírio, nos sombrios cárceres do Esquilino, quis deixar aos oprimidos a força da alegria e aproximou-se de uma jovem de rosto descarnado e macilento, dizendo-lhe ao ouvido:

 

" – Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!... Convertamos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu!..."

 

"A triste prisioneira – narra o autor – nunca saberia compreender o porquê da emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração. De olhos extáticos, contemplando o firmamento luminoso, através das grades poderosas, ignorando a razão de sua alegria, cantou um hino de profundo e enternecido amor a Jesus, em que traduzia sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando todas as suas amarguras em consoladoras rimas de júbilo e esperança. Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes dos que choravam no cárcere, aguardando o glorioso testemunho."

 

Não nos encontramos nos cárceres dos antigos cristãos, mas possuímos outras prisões a exigir-nos sacrifícios e testemunhos de novos cristãos. O canto transmite alegria contagiante e se alguém por perto, estiver também como nós, por certo será beneficiado.

 

2º - Relacionar mentalmente as nossas conquistas e os nossos momentos de felicidade – Se fizermos um exame retrospectivo de nossa vida, verificaremos que éramos bem mais cheios de defeitos do que somos agora. Veremos que superamos diversas dificuldades que impediam a nossa personalidade de ter uma vida serena. Irritávamo-nos com mais facilidade, éramos mais orgulhosos e egoístas, intolerantes e presunçosos. Agora, possuímos melhor visão do que é necessário ser feito para vencer as imperfeições e temos mais consciência das nossas possibilidades.

 

Não há ninguém que, durante a sua existência, não haja desfrutado de momentos de felicidade, quer seja junto a entes queridos, ou na satisfação de algum anseio, de alguma necessidade. Desse modo, é bom que, na hora da depressão, lembremo-nos desses momentos, procurando reviver as alegrias já fruídas.

 

3º - Ocupar-se com atividade física – Se ficarmos parados, entregues, alimentando pensamentos negativos, será o mesmo que conservar lixo dentro de casa. E com o lixo, chegam também animais indesejáveis que comprometem a saúde e provocam mal-estar. A atividade física desvia a mente desses pensamentos, operando renovação no campo mental, desligando-nos da sintonia com Espíritos infelizes.

 

4º - Substituir a autocomiseração por vibrações pelos que sofrem – Se atentarmos para os nossos semelhantes, ao nosso lado ou a distância, e abrirmos as comportas da alma para escutar os seus problemas, constataremos que existem dramas de muito mais difícil solução do que aqueles com os quais julgamos defrontar. Nessa época de crise de toda espécie, a miséria campeia dificultando a vida de muitos, tornando cada vez mais freqüentes os dramas mais raros.

 

Além do mais, no Plano Espiritual enxameiam casos dolorosos e inimagináveis de sofrimento. Os Espíritos sofredores, aos magotes, estão a esperar o nosso concurso, no auxílio fraterno, que lhes darão alívio e condições de soerguimento.

 

Não nos esqueçamos de que amanhã, quem sabe, talvez sejamos nós que estejamos a implorar socorro para nossas dores infindas...

 

Se não for possível fazer alguma coisa em benefício dos sofredores, oremos, procurando envolvê-los em vibrações de bom ânimo, coragem e paz.

 

5º - Criar idéias novas – Começar a fazer planos de ação a benefício do próximo, idealizando programas realizáveis por nós e pelo grupo beneficente a que estamos vinculados.

 

6º - Orar – A prece funciona como um oásis de paz na vastidão do deserto. Orando, estabelecemos sintonia com os Espíritos bons que velam por nós e nos cercam de cuidados, facultando-lhes ensejo de sugerir-nos soluções para os nossos problemas, revigorar-nos as energias, acenando-nos com esperanças novas e infundindo-nos coragem.

 

Quando os discípulos do Mestre estavam em alto-mar, remando com dificuldade porque o vento lhes era contrário, eis que Ele surgiu andando sobre o mar, acalmou a ventania e lhes disse:

 

"-Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!"

 

Na vida, mais cedo ou mais tarde, nos encontraremos no "alto-mar" das provações e teremos a sensação de abandono. No entanto, Jesus não dorme, vela por nós, e, se abrirmos o coração para um colóquio com Ele, que é o Amigo sempre presente e o Amor não amado, haveremos de ouvir, no mais recôndito do ser, uma voz suave e melodiosa, acompanhada de brisa refrescante e sensação de conforto, a nos dizer sussurrante:

 

"- Tende bom ânimo! Eu estou aqui!"

 

Procuremos pois, utilizar desses recursos simples e fáceis de ser aplicados, escolhendo o que melhor se adapte ao nosso temperamento e surta efeito mais rápido, na convicção de que logo mais a tão indesejável depressão estará batendo em retirada, voltando a brilhar em nossa paisagem interior o claro sol da esperança e da confiança sem limites, com certeza de que somos todos filhos do Deus de misericórdia, bondade e amor.

 

Revista Presença Espírita, julho/agosto/85 – Mansão do Caminho – Salvador - BA



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