GRATIDÃO



GRATIDÃO


Celeste Carneiro 


 


  A gratidão é uma das mais belas virtudes. É o reconhecimento de que fomos beneficiados por alguém.


  Muitas vezes esse benefício nos chega de forma tão sutil que nem identificamos o nosso benfeitor e deixamos de agradecer.


  Em nosso dia-a-dia quantas coisas desagradáveis poderiam ter acontecido e não aconteceram!  A proteção dos nossos amigos espirituais, sempre presentes, desviam do nosso caminho aborrecimentos desnecessários e nos inspiram qual a maneira mais correta de agir, sempre visando o bem de todos.


  Quase sempre nem pensamos no valor do ar que nos mantém vivos, no alimento, no agasalho; na possibilidade de ver, ouvir, falar, locomover-se com desembaraço;  na saúde, tendo todas as funções do corpo funcionando satisfatoriamente.  Tudo isso são riquezas que possuímos, ofertadas por Deus, e que às vezes só nos damos conta quando as perdemos.


  E para que melhor motivo de sermos gratos do que a bênção da amizade?


  Um amigo é sempre um amigo, ainda que as circunstâncias da vida o leve para longe de nós, ou que, por ser nosso semelhante, com fraquezas e imperfeições humanas, aprendiz das virtudes que todos um dia teremos, nos cause decepções e sintamos a dor da perda.


  É comum, diante de um amigo que não correspondeu às nossas expectativas, esquecermos dos milhares de benefícios que ele nos proporcionou para fixarmos a mente e o coração apenas em um momento infeliz, quando nosso irmão mostrou seu lado mais frágil...  E é exatamente nessa hora difícil que temos a oportunidade de exercitarmos o perdão, banhando o nosso ser com a blandície da paz.


  Além desses amigos particulares, que vivem próximos a nós, temos os grandes amigos da humanidade, que dedicam suas vidas a servirem e servirem, sempre sem cansaço, superando os obstáculos a fim de que todos vivam de uma forma melhor, avançando com segurança rumo à Grande Luz.


  São eles os defensores da paz no mundo, os cientistas, os inventores e descobridores, os gênios das artes e da literatura, os religiosos benfeitores de milhares de criaturas em várias partes do planeta.  Na sua maioria, são incompreendidos, criticados, às vezes menosprezados, para serem devidamente reconhecidos após a morte física, depois de algum tempo, quando se nota a grandeza de seus ideais.


  O grande bem que eles fazem à humanidade encobre as pequenas falhas que porventura sejam possuidores e venham à mostra.  Como diz o Evangelho: "o amor cobre a multidão de pecados".


  Na Igreja Católica, nos dias atuais, são citadas com freqüência Madre Tereza de Calcutá, na Índia e Irmã Dulce, na Bahia, Brasil, desencarnada há poucos anos.


  Para aqueles que conviveram com Irmã Dulce e trabalharam em suas Obras, era um tanto difícil conviver com ela, pois sendo frágil e enferma, não parava de trabalhar, o que deixava os jovens e sadios constrangidos, sentindo-se na obrigação de tomar-lhe o lugar na execução das tarefas.  Onde ela chegava, irradiava sua paz.  Beneficiou inúmeros enfermos, do corpo e da alma, abrigou centenas de crianças e adolescentes, deu emprego a tantas outras criaturas.


  No meio espírita brasileiro, vemos os exemplos de Chico Xavier e Divaldo Franco, entre os mais destacados.


  Ambos iluminam milhares de consciências pelas Obras psicografadas, consolam e esclarecem outros milhares de pessoas, horas a fio, pacientemente ouvindo a cada pessoa, desconsiderando suas próprias necessidades de descanso, de cuidados com a saúde precária,  deixando de lado seus interesses particulares, suas conveniências... E são décadas nesse serviço, pelo simples prazer de servir e fazer a vontade do Pai!


  Será que todos os beneficiados reconhecem tal esforço?


  Muitos são insaciáveis, querendo sempre mais desses abnegados medianeiros, não se preocupando em colocar em prática os ensinamentos que já foram recebidos, magoando-se se não conseguem um novo contato com eles, esquecidos de que um dia partirão do nosso convívio, em direção a planos mais elevados, e ficaremos com Deus, com Jesus, que nunca nos deixam desamparados...


  Residindo na Mansão do Caminho por alguns anos, vi a sabedoria de Divaldo para harmonizar tantas pessoas de origem, temperamento e formação tão diferentes, o carinho e o respeito com que ele tratava os filhos que adotou, oferecendo-lhes estudo, assistência médica,  orientação e proteção espiritual, dando-lhes condições de enfrentarem a vida pelos seus próprios pés, quando de lá saíssem.


  É verdade que nem todos souberam ou tiveram condições de aproveitar dessa oportunidade. Alguns não chegaram a concluir o 1o grau, outros, almas doentes, mantiveram-se em constante revolta contra tudo e contra todos, e ao sairem, continuam externando sua visão distorcida, esquecendo-se de dizer que as oportunidades lhes foram dadas mas que não quiseram aproveitar. A maioria, porém, são cidadãos esclarecidos e esclarecedores, divulgando o bem que aprenderam, servindo à comunidade dentro de suas possibilidades, cheios de gratidão a todos que lhes ajudaram e voltam sempre à Mansão do Caminho para colaborarem, servindo de exemplo e estímulo, para que o "amor não esfrie nos corações".


  Guardando as devidas proporções, vemos Jesus, esclarecendo e aliviando a tantas criaturas e apenas algumas sendo-lhe gratas.


  Na cura dos dez leprosos, como é sabido, apenas um voltou para agradecer, deixando como ensinamento que o bem deve ser feito sem contar com o agradecimento do beneficiado, pois esse reconhecimento será sempre na proporção de um por dez, sendo a gratidão uma conquista das almas nobres, virtude que todos nós precisamos começar a adquirir.


  Agradeçamos, portanto a Deus, pela bênção da Vida, tão cheia de belezas e ensinamentos, agradecendo inclusive às dificuldades do caminho, que nos despertam para seguirmos num rumo melhor.


  Sejamos gratos aos amigos invisíveis, que forram as pedras do caminho e embelezam nossa estrada com o carinho e o desvelo, para que possamos avançar com entusiasmo.


  Gratidão também pelos afetos encarnados que nos dão o apoio necessário para nos mantermos de pé e pelos desafetos, considerados as "pedras do caminho", mas que, através delas é que conseguiremos atravessar o pântano de nossas imperfeições para chegarmos à margem clara e atapetada de flores, região de paz conquistada por nós através do esforço constante, dia após dia...


 


 


                                                             Celeste  Carneiro


                                                             janeiro e abril/97


                                                             Salvador - Bahia



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